" E quando eu não tinha nada, ele apareceu e se tornou tudo..."
Hoje até poderia chegar aqui, ao meu mundinho, e desatar a queixar-me de quão mal o meu dia correu... mas não é isso que vou fazer. Porque tudo o que antes parecia mau, hoje continua a ser mau, mas eu consigo levar de ânimo mais leve... Hoje vou deixar aqui o meu testemunho de uma história feliz... E vou seguir o cliché de começar com....
Era uma vez...
Uma menina muito especial. Diria até incompreendida, sozinha, triste. Uma menina com uma estrelinha gigante dentro dela, uma vontade imensa de viver, o sonho de encontrar o amor.
A sua vida nunca fora fácil. Muitas adversidades se atravessaram no seu caminho. Uma vida cheia de altos e principalmente baixos.
Uma menina que tinha aprendido que a frieza e a auto defesa eram os sentimentos mais seguros que se poderia adquirir. Uma menina que aprendeu muitas coisas ao longo dessa sua torbulenta vida, principalmente que a confiança é algo demasiado precioso para se depositar em qualquer pessoa.
Há muito que a sua inocência tinha desaparecido. Aprendeu ao longo da vida que a côr rosa só existia no seu próprio mundinho, e que aquelas histórias da carochinha que ouvira na sua infância não passavam de apenas páginas de livros coloridos que a sua irmã mais velha lhe lia todas as noites...
Esta menina poderia chamar-se Cinderela, Branca de neve, Pocahontas,Pequena Sereia.... Poderia ser qualquer personagem principal de um conto de fadas qualquer, mas não, vamos chamar esta menina de.... Raposa.
A menina cresceu. Conheceu a responsabilidade de uma relação séria muito cedo, talvez até cedo demais. Relação essa que a fez desacreditar em todos os valores morais e supostos critérios obrigatórios que rondam a palavra relação, casal, e consequentemente a palavra amor.
A menina ouvia as histórias de vidas que não eram a sua... Com umas, lamentava e pensava que bom, não terei esses problemas, com outras, ficava feliz, e sonhava. Sonhava que um dia chegaria a sua vez, o seu Princepe acabaria por chegar.
O tempo é uma máquina poderosa, das poucas máquinas que o ser humano não consegue controlar... Passa e não avisa que está a passar. Pará-lo é impossivel.
Ao longo do tempo, a Raposa continuou sempre uma menina lutadora, amiga do seu amigo, unida com a sua familia, mas vivia sempre com a sensação que a sua vida era meramente uma passagem de tempo. Nada fazia sentido, nada a deixava satisfeita, nada fazia com que, á noite, quando se deitava pronta para terminar o dia e se perder de olhos fechados naqueles seus insistentes sonhos, era principalmente nessa altura que a Raposa se apercebia do quanto só estava, do quanto a sua existência era incompleta.
Aos olhos dos outros, a Raposa era uma linda menina, sempre alegre, sempre bem com a vida, sempre pronta para ajudar os outros... E quanto a si? Teria ela a capacidade de se ajudar a si própria? Teria ela a capacidade de debater os seus demónios, de enfrentar os seus medos e inseguranças?
Muitas vezes ela pensava. Na verdade, esta menina era uma pensadora. O seu cérebro não parava. 24h sobre 24h de pensamentos perdidos na sua cabeça. E assim foi vivendo, o tempo foi passando.
A Raposa sempre se agarrou ao que mais valorizava na sua vida: familia e amigos. Sempre foram os seus pilares, a sua força provinha determinantemente destes dois grupos de pessoas, sem as quais a Raposa não viveria, nem teria aguentado as tristezas que a vida lhe proporcionava dia após dia. Estes dois grupos de pessoas sempre deram o alento necessário para que a Raposa conseguisse continuar.
Por várias vezes, a Raposa se sentiu inutil, totalmente substituivel e invisivel. Por muitas vezes a Raposa pensou em desistir de viver, em simplesmente terminar com a dor que a atormentava e que parecia não ter fim.
Fechava-se. Isolava-se. Chorava por sentir que não havia alternativas, não havia soluções. Uma vez no fundo do buraco, muito dificilmente se chegaria á superficie sã e salva.
Fingia diáriamente um sorriso que no fundo não era mais que a sua própria máscara, a sua própria defesa para o mundo exterior. E assim continuava a viver no seu mundinho da Lua, aquele em que a maldade não existe, em que só existe amor, amizade, e sentimentos positivos e que aquecem aquele gelo que ela tinha em vez de coração.
No momento em que a Raposa tinha desacreditado totalmente do Amor... Eis que algo acontece...
" Sobe as escadas, faz-te bem, para tonificar as pernas!"
O quê????!!!! A Raposa levantou o nariz e respondeu:
" Não preciso disso!"
O que é certo, é que naquele momento as pernas tremeram! As bochechas coraram e o coração acelerou!! O que era aquilo????
Uma pessoa que já conhecia de vista desde algum tempo, muito tempo até, mas que nunca tinha ligado. A sua cabeça estava demasiado ocupada para que a deixasse ver o mundo real, viva demasiado no seu mundinho, o mundo exterior era uma especie de surrealismo para a Raposa. Ligava-se a ele quando era estritamente necessário. Não sendo aquela uma situação estritamente necessária, porque motivo se haveria ligado?
Tempo.... mais uma vez aquele que o ser humano não controla, foi passando...
Entre piadinhas momentâneas, olhares e sorrisos, aquele " alguém" foi fazendo com que a Raposa ganhasse algo que há muito não tinha: vontade de algo, vontade de o ver outra vez.
As circunstâncias e o amigo em comum, fizeram com que o primeiro momento de convivio acontecesse....
" Fica com o meu bolo de chocolate para ti..."
E de repente, a ironia vira simpatia...
Entre gargalhadas, olhares, trocas de impressões, algo ali não batia certo, não era normal.
No espaço de tempo em que andava perdida e triste, a Raposa conhecia novas pessoas, mas nunca em momento algum, alguma pessoa lhe tinha tocado o coração daquela maneira. Um quase total desconhecido que de repente virava centro das atenções daquela menina, daquela Raposa...
A sua cabeça deixou de se focar tanto em tantos pensamentos perdidos e confusos, e estava incompreensivelmente direccionado para uma só causa: aquele " desconhecido".
Depois daquele dia, a Raposa não pensava noutra coisa senão voltar a vê-lo. Queria saber mais daquela pessoa que a fazia olhar tanto, estar tão curiosa. aquela pessoa que mexeu totalmente consigo.
Dia após dia, de uma forma muito subtil, e usando sempre o seu escudo defensivo da indiferença, a Raposa tentou saber mais acerca dele.
A verdade é que aos poucos, ia ouvindo falar dele, puxava conversa para saber dele, e ás tantas o lógico e moralmente correcto deixou de ter peso na balança: tinham de conviver noutro contexto senão trabalho.
Uns dias depois, surgiu o segundo jantar, mas desta vez, a Raposa não estava a servir a mesa, estava sim também ela sentada á mesa.
Depois de muita conversa, séria e a brincar, gargalhadas e nostálgia, partilha de experiências e vivências, a Raposa soube que algo mais existia para além, de curiosidade e atracção, existia algo inexplicável, mas que era visivel. A empatia foi imediata desde sempre, mas a quimica demonstrou-se nessa noite, em que poderia ter sido apenas mais um jantar entre amigos, mas que para ela, foi muito mais que isso...
Nessa noite a Raposa soube que queria vê-lo novamente, desta vez sem amigos, apenas ele e ela.
Não sabia explicar o porquê, nem como tinha desenvolvido uma vontade que não estava de todo nos seus organizados planos de futuro próximo, mas a verdade é que aquela vontade foi mais forte.
( E agora chega a parte da história em que a Raposa sente uma extrema necessidade de falar na 1ª pessoa, e deixa de contar uma história, para contar a sua própria história de Amor... )
O fluxo de conversa foi aumentando. Quando dei por mim falávamos todos os dias, o dia inteiro, todas as noites. A noite já não era noite sem aquele " dorme bem, sonha com coisas bonitas ", nem o dia era dia se não tivesse aquele " bom dia alegria "...
A vontade trouxe consigo a ansiedade. Ansiava aquelas mensagens como já há muito não ansiava algo.
Ficava todos os dias a olhar para a porta de entrada do meu local de trabalho á espera que ele fosse o próximo a entrar, perto das 18h30, 19h, tal como sempre.
Não queria demonstrar a alegria que sentia desde o primeiro dia que começámos a falar mais a sério, mas era inevitável...
" É impossivel não demonstrar nada quando estamos bem."
Era um sentimento estranho. Era um sentimento inquietante. Era um sentimento inexplicável, que até metia medo.
Ao mesmo tempo que queria muito arriscar, mantinha sempre um pé atrás, tendo em conta que o que seria moralmente correcto era nem sequer chegar mais perto que aquilo, por algunsmotivos que directamente não me afectavam em nada, mas que me faziam ponderar muito..
" Um cafezinho, pode ser?"
Finalmente ganhei a coragem de dizer.
Fiquei algum tempo a decidir se enviava ou não aquele sms... E se ele dissesse que não??? Era muito mau! Estava a arriscar demasiado! Por outro lado pensava que se não tentasse, nunca saberia qual teria sido a resposta!
" Não queria apressar nada, mas sim, claro que quero!"
08/08/2012
Resposta positiva! O meu sorriso abriu-se automáticamente no rosto...
O nervoso miudinho.... A escolha do outfit, os amigos a complícarem os nervos... o cabelo... Quis ir o mais natural possivel, o mais EU possivel, e isso deixava-me ainda mais nervosa! Mas algo me dizia que tudo ia correr bem... Algo dentro de mim sabia que eu não precisava de ser mais nada, senão eu mesma. Apenas tinha de descontrair, e deixar que a minha boca falasse pelo meu coração.
Ele diz que já está na rua á minha espera... como um verdadeiro cavalheiro, o Princepe veio buscar a sua Raposa a casa no primeiro encontro a sós.
Neste momento parece que estou a sentir o coração acelerar tal como naquele dia... as mãos e as pernas tremiam conforme eu descia as escadas... Tentava encontrar na minha cabeça alguma frase feita para dizer quando entrasse no carro, depois de o cumprimentar... Não me ocorria nada de nada, embora eu soubesse que os nervos me iam fazer falar pelos cotovelos, e isso era o que mais me preocupava na verdade!!
Entro no carro. Tremo dos pés á cabeça neste momento....
" Olá, tudo bem?"
Duas ou três piadas sem graça nenhuma saem-me da boca com uma voz tremida... Esforcei-me tanto, mas tanto para que ele não reparasse que eu estava nervosa!! Lá chegámos... Mar, esplanadas... Noite calorenta, com uma Lua gigante e vermelha....
Sentámos. Trocámos o tal cafézinho por uma garrafa de vinho. E falámos. Falámos de várias coisas. De pessoas, das nossas vidas, de situações que tinhamos pendentes de falar...
O tal do tempo foi passando rápido. O vinho acaba. Passeámos. Lado a lado, enquanto continuámos a conversar.
Rimos tanto naquela noite... Tudo parecia tão perfeito, até a Lua parecia que se tinha vestido só para nós...
As rosas vermelhas que ele me ofereceu... não pelo valor enquanto objecto, mas pela atitude. Não estava habituada a esse tipo de coisas, confesso que fiquei um pouco sem saber o que fazer ou dizer, gostei muito do gesto. Caminhámos para o carro, para regressarmos a casa, depois de 3h bem passadas tranquilamente.
Neste percurso, já eu pensava apenas numa coisa: o que vou fazer quando chegarmos á minha porta??? O que vou dizer??? Será que ele me vai beijar??? E se beijar, o que faço ou digo???
Entrei outra vez em pânico. Comecei novamente a tremer e a perder a tranquilidade com que estava. Fiquei novamente nervosa. ´
Falámos o caminho todo, e o silêncio só reinou quando ele parou o carro em frente á minha casa....
" Bem.... gostei muito da tua companhia, a ver se combinamos alguma coisa...."
Depois de ouvir estas palavras, o meu coração disparou. Era a minha vez de falar. Tinha um nó na garganta, a voz parecia que não queria sair... Aproximo-me dele....
" Sim, eu também... Obrigada pelas rosas, gostei muito..."
E o silêncio que seguiu a minha resposta....
Foi automático... Aproximámo-nos um do outro.... Senti a sua respiração junto da minha boca, mas hesitei... Tive um pensamento rapidissimo " será que devo?", mas foi lento demais em comparação á vontade de o beijar. Beijámo-nos. Ali naquele preciso momento eu soube, o Princepezinho existe.
Foi um primeiro beijo perfeito. Primeiro encaixe perfeito.
Despedimo-nos, mas sem vontade nenhuma de nos largarmos. Subi a escada ainda a tremer e a respirar tão rápido que parecia que ia desmaiar... Estava a tentar perceber o que é que se tinha passado ali, que força tinha aquele beijo para me deixar completamente desorientada. Entrei em casa, totalmente atónita. Não sabia o que havia de fazer... Sentei-me lentamente no sofá, e respirei fundo. O sorriso não saía do meu rosto. Com as mãos a tremer, escrevi uma sms...
" não tenho palavras... acho que isto chega :D... obrigada..."
E assim começou uma linda história de amor, um belo conto de Raposa e Princepezinho.
Dia após dia, noite após noite, fomos descobrindo que aquele sentimento inexplicável que nos unia era amor verdadeiro. Fizémos as coisas como tinham de ser feitas, uma coisa de cada vez, um passo de cada vez. Soube desde cedo que ele era o Meu Princepezinho, e que eu era a Sua Raposinha.
Cativámo-nos, apaixonámo-nos, amámo-nos, sempre com o mesmo passo, a mesma vontade, a mesma velocidade...
Estou a escrever há mais de duas horas, e mesmo assim acho que não consigo expressar com enfase suficiente em palavras o turbilhão de alegria, amor e plenitude que este sentimento me trás.
O meu Princepezinho acrescentou á minha vida tudo aquilo que me faltava. Os espaços vazios do meu coração, corpo e alma ficaram preenchidos de uma tal maneira que era impossivel imaginar o meu futuro sem o meu princepe a meu lado.
" Não precisamos ser perfeitos para sermos felizes"
A minha vida passou a ter um sentido, a fazer todo o sentido.
Estou completa. Continuo a ter a meu lado a melhor familia, os melhores amigos e o Meu Princepe.
Não preciso de mais nada. Ele dá-me tudo aquilo que eu preciso, a todos os níveis. O sentimento que nos une é demasiado forte, demasiado necessário. Estamos juntos no mesmo barco, fortes e convictos da nossa opção. Optamos por perder o medo, e não fugir deste sentimento lindo.
Estou feliz. Não preciso de mais nada, tenho o que mais ansiei desde sempre: o Amor...