" It's not like love at first sight, in fact. It's more like gravity. When you see her, is no longer the land that holds you here. She holds you. And nothing else matters but her. You would do anything for her, would be anything for her. You become whatever she needs you to be. Be that as his protector, or as a lover or a friend or a brother. "
( The Twilight saga - The Breakingdown * Jacob Black )
Hoje é 6a feira. A semana está no fim.
Desde 5a feira passada ( aquela maldita 5a feira que eu nem sequer deveria ter acordado, quanto mais aventurar-me a sair á noite ) que mal consigo dormir. Pois é, as malditas insónias voltaram.
Desde esse dia que o meu coração está acelerado, sinto-me ansiosa, estou morta de cansaço, mas deito-me, e os olhos não fecham...
A cabeça não pára de pensar. Assumo, estou triste, muito triste até.
Desde essa 5a feira que analisei mais uma vez a minha vida a fundo, e ultimamente isso tem-me ocupado 90% do meu dia nos meus pensamentos.
Sinto-me sozinha, muito sozinha mesmo, totalmente desamparada.
A minha familia não tem tempo para mim, aliás, desde há uns tempos para cá, diria até uns tempos longos, que a minha familia não se preocupa se eu estou viva, se estou morta, se estou bem ou mal.
Posso parecer egoista a falar desta maneira, mas esta é a minha triste realidade. Sou o elemento invisivel da familia, que só existo quando é preciso alguma coisa, seja o que for. Só falam comigo para pedir coisas, de resto ninguém se digna a parar 5 minutos para pensar que eu sou um ser humano, e que talvez o facto de a minha vida ser trabalhar que nem uma escrava para sobreviver, e o tempo que tenho livre passá-lo em casa fechada e sozinha significa algo. Secalhar o facto de eu me sentar á mesa muda e sair calada significa algo. Secalhar o facto de eu beber até não aguentar mais significa algo. Mas ninguém nota, ninguém vê. ´
Não posso atribuir algum tipo de culpa aos meus pais, de maneira alguma, aliás, eu não abro a minha boca exactamente por isso mesmo: porque a minha mãe é a pessoa mais importante no mundo inteiro, e preocupações que cheguem e sobrem já ela tem, e eu nunca fui nem quero ser mais um fardo para ela. E o que me deixa mais frustada é que de certa forma até sou também um fardo, porque sei bem que se não passo fome é graças aos meus pais, e isso nem uma vida inteira chegará para agradecer tudo o que os meus pais fizeram por mim até hoje.
O resto da familia anula-me completamente.
Eu sei que não sou uma pessoa fácil, eu sei que o meu feitio não é bom, mas porra, olhar para mim de vez em quando não custava muito, perder 5 minutos a tentar saber como tem sido a minha vida principalmente neste último ano não deve custar assim tanto. Talvez o meu humor melhorasse se eu visse que a minha familia parava para pensar que a minha vida nunca foi fácil, nunca foi uma vida tranquila e feliz, sempre tive adversidades, e sei bem que todas as pessoas as têm, mas viver a vida inteira a ver que eu sempre fui tratada de maneira diferente por todos é dose, e aguentar estes meus últimos 3 anos de vida completamente sozinha não tem sido nada fácil.
Para o meu irmão mais velho, nunca existi. Sempre vi os meus ormãos mais novos conhecerem o mundo com ele, sempre os carregou para todo o lado, sempre lhes proporcionou coisas com as quais eu nem sequer me dava ao luxo de sonhar, mas tudo bem, não são coisas materiais que me fazem qualquer tipo de diferença. Nunca fui pessoa de pedir o que quer que fosse a alguém, também porque nunca fui habituada a ter grandes coisas. Todos os bens materiais que tenho são fruto do meu trabalho, do meu próprio esforço que fiz ao longo da minha vida enquanto pessoa adulta. Tive de aprender que o muito vira pouco, e tive de aprender a viver com pouco ou quase nada.
Ser sempre aquela que fica em casa quando há um jantar, ser aquela que não vai ao café todos os dias, ou que passa meses sem ir ao cinema, sem jantar fora, sem viver, é complicado.
É complicado lidar com uma vida de mulher, de 26 anos, solteira, em que constantemente os amigos convidam para fazer isto, ou aquilo, e eu sou aquela que nunca posso.
É revoltante ter de me sujeitar a um segundo trabalho, que exige muito esforço, uma vez que é nocturno, puxado, e muito mal pago. Saber que tenho de fazer esse esforço para tentar melhorar de alguma forma a minha vida é muito complicado. Ainda para mais, quando estou a fazer um trabalho com o qual não me identifico, e que faço apenas e só pelo misero dinheiro que me é pago, que serve para pagar a água, o gás, os cereais que gosto de comer antes de dormir... enfim... a verdade é que nunca pensei ver-me numa situação tão má, e não estou a conseguir lidar com isto.
Psicológicamente não me sinto bem. E isso transmite-se fisicamente, não durmo, tenho pesadelos noite após noite, isolo-me, choro por tudo e por nada, ando irritada, super agressiva... não me sinto eu. Neste momento poderei mesmo dizer que eu não sou eu.
Tenho saudades. Tenho saudades da minha irmã que está a milhares de quilómetros e que sei que se preocupa muito comigo, que ainda me vê como a menina que ela criou e educou, tenho saudades da minha irmã que mora na mesma casa que eu, mas que eu mal vejo ou falo, tenho saudades das conversas intermináveis que tinha com a minha mãe, tenho saudades de deitar a cabeça no colo dela enquanto ela me fazia festinhas até eu adormecer, tenho saudades de quando adoecia e tinha visitas, sei lá... tenho saudades da Sílvia meiga, carinhosa, sempre alegre e divertida, enfim, tenho saudades de uma vida que eu nunca terei.
Quando tudo corre mal, quando cada passo que dou para tentar andar para a frente só me enterra, quando não vejo nem uma única melhoria na minha vida, quando a esperança e a fé acabam, quando não há nada que me prenda aqui, fica dificil acordar de manhã e iniciar um novo dia...
É verdade que no meio de uma vida que ainda nem começou e já está completamente acabada, tenho a sorte de ter os melhores amigos do mundo, sim, isso posso dizer que é uma verdadeira benção, e que todo o tempo do mundo nunca chegará para agradecer o facto de ter aquelas 3 pessoas que de uma maneira ou outra estão sempre presentes na minha vida, e sei que se não fossem eles, hoje eu seria uma pessoa totalmente vazia e pequena, e se continuo agarrada á vida com unhas e dentes é porque eles me mostram que ainda há uma esperança de que nem tudo é mau. E sem dúvida os meus sobrinhos. Olhar todos os dias para a minha princesinha, tê-la no meu colo, enchê-la de beijos, carinho e amor, faz-me acreditar que vale a pena viver, porque aquele sorriso, aquelas gargalhadas não têm preço, daria a minha vida para os ver sorrir, farei sempre tudo o que estiver ao meu alcance para que nunca lhes falte nada, da minha parte terão todo o amor que eu tiver para dar, toda a minha atenção, seguirei os meus pequenotes até ao fim da minha vida.
Não ando com muita vontade de falar. Na realidade finjo que estou bem apenas para não ter de falar.
A Sílvia não é assim. A Sílvia tem o coração ligado á boca, a Sílvia que fala pelos cotovelos e está sempre tranquila.... a Sílvia tem de voltar...
Não vejo interesse em nada. Não me entusiasmo com nada. Não me apetece fazer nada para além do que sou obrigada.
Apetece-me ficar assim, sentada no sofá, com os meus cigarros, a minha garrafa de vinho, a minha música e a minha gata, e deixar o tempo passar, até voltar a conseguir levantar a cabeça e ter uma vida normal, como qualquer pessoa.
Sinto-me estupidamente inutil neste momento, não sirvo para nada nem ninguém. Não tive pedalada para me adaptar ás várias mudanças que a minha vida tem vindo a sofrer, não consigo adaptar-me a esta realidade que me rodeia.
Sinto-me fraca, sem forças para andar para a frente, quero estagnar aqui, e sei lá, esperar um milagre.
São 4 da manhã...
Como estava sem sono, estive a reler algumas partes do meu blog, a reviver algumas partes da minha vida, aquelas que me fizeram feliz...
Lêr as minhas próprias palavras... ufa.... fui corajosa em olhar para trás...
Entre meios sorrisos, gargalhadas e lágrimas, nesta hora em que estive a lêr vivi de tudo um pouco: felicidade, saudade, vergonha, tristeza, revolta... enfim... talvez eu seja isso mesmo, um turbilhão de sentimentos misturados e mal distribuidos.
Deposito demasiadas expectativas em quem não devo, e depois tento arranjar motivos para as coisas que acontecem, quando na realidade o erro foi sempre meu, desde sempre, defeito este o meu, de me entregar ás pessoas sem ver maldade em nada, sem analisar as prováveis consequências...
Neste último ano vivi o auge da felicidade, da tristeza e da desilusão. Fui o mais feliz que alguma vez fora, mas também o mais triste que alguma vez fora. Apaguei a minha luz ao longo deste tempo.
E tenho de admitir... aliás, se já na altura eu sabia com toda a certeza que aquele era o verdadeiro significado de ser feliz, agora sei qual o significado de amargura e saudade. Não só saudade fisica daquela pessoa que me fazia sentir tão especial, mas também saudade da pessoa que eu era quando estava feliz, com ele. As nossas essências eram sem dúvida almas gémeas. E mesmo que eu me volte a apaixonar, um dia quem sabe, uma coisa é certa: aquele sentimento que eu nutria e infelizmente nutro por ele, é incomparável. Irei sempre recordar-me dele como o meu ninja, o meu porto de abrigo. Acho sinceramente que dificilmente me voltarei a sentir assim, e hoje consigo afirmar que sem dúvida que era amor, quase poderia dizer que amei-o desde a primeira vez que ele me disse aquele " olá" envergonhado. Marcou-me, para sempre.
Sei que os nossos caminhos nunca mais se vão cruzar dessa maneira, sei que não aceitaria viver novamente uma bomba relógio, e por isso espero mesmo curar-me definitivamente deste amor impossivel, espero sinceramente que ele mude a sua atitude para comigo, e me faça perder aquele encanto que eu sinto por ele. Quero desesperadamente olhar para ele um dia, e saber que já não mexe comigo dessa maneira, que ali vai estar apenas uma página virada, vai estar uma pessoa que foi demasiado importante para mim, mas que não é mais.
Ultrapassar esta barreira já seria um grande passo para eu andar mais um bocadinho para a frente...
Já passei por relações falhadas e ultrapassei, e neste caso vai acontecer o mesmo, está a custar a passar, está a ser dificil de esquecer, mas tenho de acreditar que vou conseguir, ao meu ritmo, ao meu passo, mas vai ter de acabar.
Quero voltar a sorrir verdadeiramente, quero ter-me de volta, quero voltar a ser eu por completo, e só aí conseguirei libertar-me dele, a minha outra metade que neste momento está apagada...






