" Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. "
Fernando Pessoa
Hoje tomei consciencia.
Hoje tomei plena consciencia de que o relógio não pára... Aquele tic tac ensurdecedor esteve constantemente na minha cabeça durante todo o dia.
Tenho 26 anos.
Como falava hoje com o meu puto pingu, com 26 anos sou uma mulher feita. Acabou-se a tolerância a erros. Acabou-se a inocência que me poderia desculpar há 6 anos atrás, aliás, na realidade acabou-se qualquer desculpa que pudesse tentar arranjar para qualquer atitude imatura que possa vir a ter, ou mesmo que tenha.
Hoje dei por mim, a pensar nas minhas colegas de escola... Ainda ontem falei com uma colega do 9º ano ( ora, isto significa que não a vejo nem falava com ela há 11 anos), e ela disse-me que já está casada e tem 2 filhotes... E todas as outras minhas colegas de escola estão na mesma, ou já casadas, com filhos, ou juntas... Enfim, toda a gente bem orientada na vida.
E isto deu-me para pensar.
O que estará errado comigo? Serei eu assim tão imatura, tão diferente, tão exigente que não consiga encontrar um ponto de equilibrio na minha vida?
Estou farta de viver de altos e baixos, de picos de alegria e de tristeza, de sufoco, de desespero.
Começo a acreditar na teoria do nunca na vida. Começo a acreditar novamente que já não vale a pena sonhar, que o que de melhor faço é voltar a ser uma pedra de gelo.
Irrita-me o facto de certas pessoas se acharem a última bolacha do pacote, quando há um principio básico que ainda ninguém conseguiu alcançar: Ninja, só existiu um na minha vida, e duvido sériamente que isso vá mudar. As coisas que fiz por ele, aquilo que lutei, não voltarei a fazê-lo por mais ninguém. Merecendo ou não, a única coisa que sei é que eu não mereço isso, e isso chega-me bem para predefinir os meus parametros, traçar muito bem a linha entre o aceitável, o impossivel, e o intocável.
Neste momento, parece que nada faz mossa. Nada me abala, quase nada me toca no fundo. Mais rápidamente uma música me toca no coração do que um homem.
Já me dizia ontem o meu mais que tudo: são todos uma cambada de cabrões. E eu só posso concordar.
Sentimentos??? Quem os tem??? Hoje em dia, os sentimentos estão tão banalizados que perderam totalmente o seu sentido, o seu verdadeiro significado.
Estou completamente deslocada do mundo neste momento.
Os valores nos quais eu acreditava já não existem, aquilo pela qual eu sempre sonhei, não existe também. Eu sou de coisas antigas, de pessoas não fabricadas, de essências puras, e sinceramente está mesmo dificil de encontrar uma essência pura neste mundo de merda.
Apetecia-me viajar. Conhecer um país diferente, outra cultura, outras maneiras de ver o mundo.
Quem sabe daqui a um ano... quando finalmente conseguir resolver metade dos meus problemas...
Enquanto a minha vida não andar para a frente não irei sossegar. Quero isso, mais do que o ar que respiro. Quem sabe, se algum dia a minha luta terá um fim, e eu poderei respirar fundo novamente...

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